Estimo que essa escrita é do ano 1999/2000, época em que fazia o "Ensino Médio".
Uma folha pálida que achei dentro da minha antiga apostila de "Inglês".
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Todos os anos as
aulas de “Produção de Texto” ou as aulas de “Português” começam com uma
produção textual nada inovadora. Às vezes, tenho a impressão que os meus
professores reaproveitam o planejamento das aulas e os pincéis dos corretivos
ensaiam passos, igualmente repetitivos, no último numeral do milhar: 1997
transforma-se em 1998, que se torna 1999...
Mudando do velho para o usado, o meu ano escolar começou com um texto – obrigatório – em que
preciso discorrer sobre o complexo tema: “Quem sou eu?”.
Pior que o tema
repetitivo, é a forma mentirosa que se traduz a minha escrita... Já decorei o
percurso para ganhar um “visto” acrescido de um “excelente”, o que resultará em
nota máxima.
Da última vez
que fui criativa e elaborei um texto autêntico, ele foi rotulado de desrespeitoso...
A professora se sentiu ofendida - acho que ficou particularmente incomodada com
o parágrafo em que resgato parte da minha infância e a preocupação da minha mãe
e da minha avó com a familiaridade que parecia haver entre a minha cabeça e o
chão. O bom humor da escrita soou como afronta, assim imaginei. Não enxergava
outros motivos e ninguém me deu outros para que eu pudesse refletir. Então...
Na época da
possível “afronta”, quis responder: _ “Como
um texto em que descrevo e desenvolvo sobre a perspectiva de ‘Quem sou eu?’ pode
agredir o outro? Devo pedir desculpas por existir?”. Pensei e calei. Na verdade,
ser filha de professora nem sempre é fácil. Todos esperam (exigem!) uma
perfeição inexistente. É como se esperassem versos, rimas e parcimônia onde há
crônicas, caos e muitos questionamentos.
A saída foi
fingir saber sobre a minha vida e escrever o tal “Quem sou eu”... Um texto tão primário como um acróstico. E para
premiar a farsa ganhei um falso “visto”
acompanhado de um fingido “excelente”.
Farei um “Quem sou eu?” extra para aliviar minha
consciência mentirosa.
Danielle Faria. Obs.: Quando reli esse texto fiquei com aquela impressão que alfineta e acusa: _"Que horror! Parece que você (eu) odiava escola e as aulas em que precisava produzir textos". Um pensamento equivocado, pois essas eram as minhas aulas prediletas. Depois de pensar sobre o assunto, lembrei que minhas críticas eram relacionadas aos textos com temas livres que de "livre" só tinha o nome. Era uma "liberdade" acompanhada de um "mas", "contudo", "porém"... Penso que a escrita nasceu devido a uma breve revolta. |






